sexta-feira, 21 de setembro de 2012

o velho e o novo

Penso sobre o velho e o novo, o novo inspirado no velho, o ensino e a aprendizagem partilhados entre novos e velhos: vê-se cada vez mais a procura de inspiração no passado, o olhar para trás para encontrar caminhos para o futuro. E enquanto penso nisso e em como isso se reflecte na criação artística, penso também em como esse olhar para o passado está influenciado pelo ensino, pela transmissão de conhecimentos, de conceitos ou hábitos. E se essa influência é tão óbvia em algumas disciplinas como as artes aplicadas, a música ou cinema, não me parece nada tão clara nas artes cénicas. Pode o teatro olhar para trás e continuar a caminhar para a frente? A dança? E se calhar mais importante - é interessante que o façam? Acho importante um ensino acessível e cativante, acho importante para a formação de cidadãos e artistas que se conheça o passado, mas a pergunta cuja resposta pode ser interessante é se essa transmissão, essa herança cultural se pode manifestar claramente num palco.Teremos a generosidade de aceitar o passado e deixá-lo moldar o nosso presente hiper-moderno? Resistiremos à tentação da "visão pessoal actualizada"? Como é que se transmite essa influência?

Dois vídeos muito diferentes sobre esta questão:




quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Low cost artist



Começo agora a minha tese de final de mestrado (suspiro profundo). Página de Facebook e site online, tudo a postos para receber criadores que andam pelo menos há dois anos a fazer omoletes sem ovos...
As perguntas interessantes são as que nos podem dar novas visões do que é gerir dinheiro e ser criativo ao mesmo tempo... sobreviver criando, com reduzidos recursos financeiros. E mais: descobrir o que nos separa e nos une enquanto europeus, enquanto membros de uma sociedade que ainda vê a cultura como um bem essencial - mais num países que noutros, arrisco desde já, antes dos resultados do estudo! E afinal como vêm os criadores as suas obras na sociedade? Ainda é importante ou possivel mudar o mundo através das artes performativas?

Por favor visitem o site e o facebook e divulguem!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Not all the time, sure, but more often.


This or that?

Don’t follow, lead.
Don’t copy, create.
Don’t start, finish.
or even,
Don't sit still, move.
Don't fit in, stand out.
Don't sit quietly, speak up.
Not all the time, sure, but more often.

é daqui!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Qualquer relação com "música" é pura coincidência...


Justin Bieber é uma máquina de fazer dinheiro, ponto. É capa da revista Forbes e um dos maiores nomes no que diz respeito a investimento privado em tecnologia. Conseguiu tudo isto através da música? Não, através das redes sociais - This cultural phenomenon, born of social media, took a modicum of fame and tossed it into the digital echo chamber.
O artigo da Forbes é esclarecedor e vale a pena ler para entender como é que um fenómeno da música tem tão pouco a ver com música, e aos 19 anos sabe mais de negócios que a maioria de nós aos 40... A música há muito tempo que deixou de ser "só" música e a indústria tem sofrido mudanças brutais, fazendo muitas vezes com que a música seja o pormenor quase irrelevante. A questão aqui é como a intervenção financeira destes jovens artistas muda a sua posição no mundo e o seu poder, já não apenas como "opinion makers" importantes, mas como forças de mobilização de massas acima do Presidente dos EUA, por exemplo! Mobilização de massas para... consumir, bem visto! Mas já não se fala só de consumir música, mas de todos os produtos onde os seus ídolos investem - é uma manipulação muito mais poderosa...
Aparece este ano como o nº3 das celebridades mais influentes no mundo, de acordo com a famosa listagem da Forbes, ao lado de uma esmagadora maioria de cantores, ou será melhor dizer, celebridades do mundo da música...




domingo, 24 de junho de 2012

Festival sem música - the all in one package!

Viver a 300 metros de um dos maiores festivais da Europa, faz-nos tomar consciência de algumas aspectos que não vemos quando somos "clientes". Em frente ao MACBA estava um dos espaços do Sonar, em plena Praça dels Angels, limitado por tapumes de madeira, ou seja, podia-se ouvir tudo o que se passava para lá das "paredes" do Festival, mesmo sem pagar bilhete. Neste espaço criou-se uma dinâmica curiosa: clientes e não clientes, juntavam-se por ali, a beber cerveja, conversar e ouvir a música a níveis bem mais simpáticos do que dentro do próprio recinto. E ali mesmo na rua, estava tudo - a experiência Sonar - música, copos, gente de todo o mundo... the package! E se facto as pessoas vêm cada vez mais aos festivais pela parte social, pelo convívio, para conhecer gente, fazer amigos, fazer negócios e ter "experiências inolvidáveis", porque é que não se pensa nesse público também? Porque não se faz uma entrada social para os Festivais, sem direito a assistir aos espectáculos, mas a tudo mais? Ou melhor ainda, uma tenda ou recinto para convívio onde possam entrar só os detentores do "bilhete social".  A música seria o ponto de partida para tudo o mais mas não era o protagonista, o protagonista seriam as pessoas, as conversas, o contacto pessoal. ..

terça-feira, 12 de junho de 2012

é a economia, estúpido!


O texto explica-se por si mesmo. É também por isto que se deve continuar a fomentar o investimento público e a profissionalização na cultura:

Resolución de 24 de mayo de 2012, de la Secretaría de Estado de Cultura, por la que se convocan las becas FormARTE de formación y especialización en materias de la competencia de las instituciones culturales dependientes del Ministerio de Educación, Cultura y Deporte, correspondientes al curso 2012/2013.

La creciente importancia de la cultura como elemento dinamizador de la economía y el empleo, se pone de relieve en nuestro país acudiendo a la Cuenta Satélite de la Cultura cuyos datos revelan que el sector cultural y creativo, en las actividades vinculadas con la propiedad intelectual, aporta el 3,9% de nuestro PIB. Con respecto al empleo cultural se estima que genera unos 750.000 puestos de trabajo. El importante futuro que tiene este sector se reconoce en la Estrategia Europa 2020 de la UE que considera la política industrial y de innovación como los núcleos principales sobre los que pivota el cambio hacia la sociedad del conocimiento.

normativas e mais explicações aqui

quinta-feira, 7 de junho de 2012

a noite sem críse


Felizmente continua a haver uma noite em Lisboa onde a cultura é grátis, de grande qualidade e está na rua! As Festas de Lisboa continuam a ser uma iniciativa maravilhosa da Câmara Municipal de Lisboa / EGEAC e a abertura regra-geral é para nos deixar maravilhados e esquecer a vida quotidiana. Este ano não foi excepção, com os Titanick a envolver-nos na sua corrida de máquinas loucas e fazer uma enorme multidão sorridente esquecer, nem que seja por duas horas, as tristezas da crise. E quanto maior é a crise mais importante é este papel da cultura, de unir as pessoas, de lhes fazer viajar um bocadinho com os pés bem assentes na sua cidade, e de crescer para além das suas limitações.